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O poder das plantas para alinhar corpo, casa e consciência

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Cresci cercada por plantas, flores e livros de Biologia.Minha mãe, professora da vida e da natureza, sempre cultivou o verde ao redor — e, sem perceber, cultivou em mim também um olhar sensível para o ritmo natural das coisas.


Ela sonhava que eu fosse bióloga, talvez como uma extensão de seu amor pela terra, pelos ciclos e pela beleza silenciosa que mora nas folhas.


Por muitos anos, esse sonho dela repousou em mim como uma lembrança afetiva. Segui outros caminhos — mais mentais e simbólicos — e o contato com as plantas se tornou distante, restrito à memória do jardim da infância.


Até pouco tempo atrás, eu mal sabia cuidar de um cacto.Mas, ao buscar reorganizar e qualificar minha casa, comecei a sentir um chamado interior: o desejo de trazer a natureza de volta para dentro.


No início, foi apenas uma vontade de deixar o ambiente mais bonito e acolhedor. Com o tempo, percebi que estava cultivando algo muito mais profundo — uma reconexão com a vida em sua expressão mais simples e verdadeira.


Quando nos afastamos do contato com o natural — como a vida moderna frequentemente nos faz —, perdemos referências importantes de ritmo, pausa e presença.A desconexão se traduz em espaços artificiais, luzes frias, ruídos constantes e falta de silêncio.


Hoje compreendo que cuidar das plantas é também um ato de presença.Cada rega, cada poda, cada folha que cai e cada flor que surge me convidam a estar no momento presente.


As plantas me ensinam sobre paciência, sobre o tempo certo de cada coisa e sobre como a vida flui melhor quando criamos espaço para respirar.


O que antes era um saber intelectual que aprendi com a Naturopatia — ligado aos banhos, chás e ervas medicinais — transformou-se em experiência viva.


Senti na prática o quanto o contato diário com o verde modifica a informação que o ambiente transmite e a forma como eu me sinto dentro dele.


Feng Shui e a sabedoria dos padrões do espaço


Nesse caminho, o Feng Shui se revelou como uma linguagem que traduz o diálogo silencioso entre nós e os espaços.

De origem chinesa, essa arte ancestral observa como a disposição dos ambientes, das formas, dos objetos e dos elementos naturais interfere na nossa percepção, no nosso comportamento e na qualidade da vida cotidiana.


Assim como o corpo humano, a casa também possui pontos que pedem cuidado, organização e equilíbrio.


As plantas, dentro dessa visão, são grandes aliadas.Elas melhoram a qualidade do ar, suavizam cantos rígidos, trazem cor e vida aos ambientes.No Feng Shui, elas são usadas para comunicar visualmente ideias como crescimento, vitalidade, prosperidade, afeto e renovação. Também passam a informação de desbloqueio de áreas que se mostram paradas, contribuindo para que o espaço transmita uma sensação de continuidade e fluxo.


Percebi que, mais do que decorar, posicionar uma planta é um gesto de intenção.É dizer: “quero que este ambiente acolha, quero que conte uma história de leveza e movimento”.


Com o tempo, fui entendendo que o equilíbrio entre o Feng Shui e a presença do verde cria ambientes que fazem sentido — espaços que não apenas agradam aos olhos, mas convidam a mente e o corpo a desacelerar.


O Feng Shui, nesse contexto, deixa de ser algo místico para se tornar uma forma de organizar informação no espaço: cores, formas, direções, cheios e vazios conversando entre si para apoiar a vida de quem habita aquele lugar.


Um jardim interno


À medida que nossa casa floresce algo dentro de nós ambém floresce; As plantas se tornaram nossas companheiras silenciosas, testemunhas do nosso processo de reconexão com o natural.


Hoje, vejo que cultivar um espaço harmonioso é um reflexo de cultivar um estado interior de cuidado.

Quando cuidamos de uma planta, cuidamos de nós.. Quando organizamos o espaço, organizamos nossos pensamentos. E quando observamos o crescimento de uma nova folha, percebemos que a vida sempre encontra seu caminho — mesmo nas condições mais improváveis.


A natureza tem sua própria lógica: ela não apressa o tempo, apenas segue o processo. E, talvez, seja isso que ela mais tem tentado nos ensinar.


O lar como espelho do ser


A casa, em muitas tradições, é vista como uma extensão da nossa história.Cada canto revela algo sobre nós: nossas crenças, nossos desejos, nossas memórias e até nossas resistências.


No Feng Shui, costuma-se dizer, que o lar é um organismo vivo — e o modo como cuidamos dele reflete a forma como cuidamos de nós mesmos.


Trazer o verde para dentro, escolher as cores com intenção, observar o que está em excesso ou em falta… tudo isso é uma forma de leitura e de ajuste de informação: o que a casa comunica e o que desejamos viver ali.


Hoje compreendo que decorar é um ato de consciência. Não se trata apenas de estética, mas de intenção; de criar ambientes que nos lembrem diariamente de quem somos e do tipo de vida que queremos alimentar: mais simples, mais verdadeira, mais alinhada à natureza das coisas.


Conclusão: o verde como caminho de leveza


O reencontro com as plantas me devolveu o prazer do simples e a alegria de estar presente. Através delas, compreendi que o design e a sensação de harmonia não nascem apenas da forma — nascem da relação viva entre tudo o que existe no espaço: objetos, cores, luz, cheiros, memórias e pessoas.


Talvez seja isso o que as plantas nos ensinam de forma mais bela: que não precisamos fazer muito para encontrar um certo alinhamento interno, basta permitir que a vida siga seu curso, como a seiva que sobe, a flor que se abre e a folha que cai.


O Feng Shui, somado a esse olhar para o verde tem me mostrado que o equilíbrio começa dentro e se manifesta em cada detalhe do lugar que chamamos de lar.


Porque viver com presença é cultivar o jardim interno e externo com a mesma ternura.

 
 
 

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